Guia open-source pra Product Manager, Product Owner, Business Analyst e produteiros brasileiros conseguirem vaga internacional.
Oi, pessoal!
Dá sim pra ser produteiro brasileiro, trabalhar de casa pra uma empresa de fora e praticamente dobrar o salário. Eu já consegui duas vagas assim na gringa, e este guia é o mapa que eu queria ter tido no começo.
Me inspirei no getting-a-gig-pm-edition do msmanek pra montar ele, focado em quem trabalha com produto (PM, PO, BA e afins) e quer a vaga internacional. Sou a Isabela, e hoje trabalho como PM fora.
Novo por aqui? Não precisa ler tudo de uma vez. Se quiser se convencer primeiro, começa por Por que mirar a gringa; depois siga na ordem a partir de Entendendo o papel de PM.
Importante: o que está aqui é a minha opinião, de quem passou por isso, e o guia é vivo. Se você tem algo a somar, abre uma issue ou manda um pull request.
- Introdução (você já leu)
- Entendendo o papel de PM
- O que é (e o que não é) PM
- Tipos de PM na Gringa e qual se posicionar
- Por que mirar a gringa
- Perfil e skills
- Seu perfil
- Construir skills
- Vender skills
- Atitude
- Seus materiais
- Resume
- Cover Letter
- LinkedIn, Portfólio e GitHub
- Como buscar por vagas para PMs?
- Job post no LinkedIn
- Networking no LinkedIn
- Empresas que contratam do mundo todo
- Plataformas que te conectam
- Job boards
- Bônus: vagas com relocação
- O passo a passo prático
- Conclusão
- Como contribuir
Product manager é quem toma posse de um produto (ou de uma parte dele) e faz o que estiver ao alcance pra ele dar certo. Conversa com os interessados (usuários, times internos, negócio), descobre o que realmente importa e decide o melhor caminho pra frente. Na prática, é a cola entre o negócio e a tecnologia. O papel muda de empresa pra empresa, e essa ambiguidade é normal.
Bons materiais pra entender o papel, atuais e na mesma linha do "bom PM x mau PM".
Livros:
- Inspired, de Marty Cagan: o livro de referência sobre como boas empresas criam produto.
- Empowered, de Marty Cagan e Chris Jones: sobre times de produto de verdade, não times de feature.
- Continuous Discovery Habits, de Teresa Torres: como descobrir o que construir ouvindo o cliente de forma contínua.
- Escaping the Build Trap, de Melissa Perri: por que focar no problema, e não em só entregar mais feature.
De graça, pra começar hoje:
- Product Management: Start Here, do SVPG (Marty Cagan)
- Product Management Theater, do Marty Cagan no Lenny's: a versão moderna do "bom PM x mau PM".
- Lenny's Newsletter: pra se manter atualizado.
E pra tirar a confusão mais comum, o que PM não é:
| O que parece (o mito) | O que é de verdade |
|---|---|
| Gerente de pessoas | Não chefia ninguém. Lidera por influência, sem autoridade, fazendo o time comprar a visão. |
| Gerente de projeto | Não cuida só de prazo e tarefa. Descobre o que construir, por quê e pra onde o produto vai. |
| Tem que ser super técnico | Não precisa programar. Precisa entender o processo e falar com dev. Dá pra chegar por design, dados ou negócio. |
Lá fora, diferente do Brasil, o título de PM é levado a sério e a especialização importa muito. A empresa quer saber exatamente que tipo de PM você é: o técnico que entende de API, o que manja de SQL e dados, o de crescimento, e por aí vai.
Um aviso antes: não mire ser "PM generalista". Pra brazuca, a gringa raramente abre vaga de generalista sem especialização, então escolha uma das trilhas abaixo e se posicione nela.
Pra cada tipo, o que colocar no LinkedIn e no resume (palavras-chave), as ferramentas que aparecem nas vagas, e as skills buscadas. Regra de ouro: tudo que te leva pra um nicho e ajuda a empresa a te achar conta, então quanto mais específico, melhor. A tabela abaixo é um resumo com os principais de cada trilha, pra te dar a direção, não uma lista completa.
Um detalhe importante: ferramenta de gestão de ticket (Jira, TFS, Linear) é padrão pra qualquer PM, então não é diferencial. Às vezes perguntam (já me perguntaram se eu uso Linear), então pode listar, mas não conte com isso pra se destacar. O que destaca são as ferramentas e skills específicas de cada trilha abaixo.
| Tipo de PM | Palavras-chave | Ferramentas e sistemas | KPIs / métricas que pedem | Skills buscadas |
|---|---|---|---|---|
| Growth PM | growth, activation, retention, PLG, north star | Amplitude, Mixpanel, GA4, SQL | North Star, activation rate, retention, LTV/CAC (3:1) | experimentação (A/B), análise de funil, growth loops |
| Technical PM | technical PM, API, SDK, system design, DX | Postman, OpenAPI/Swagger, AWS ou GCP, SQL | adoção de API, latência (p95), error rate, uptime | ler arquitetura, escrever spec técnica, escopo de API |
| Data PM | data PM, analytics, data pipeline, data quality, BI | SQL, dbt, Looker ou Tableau, Snowflake ou BigQuery | qualidade do dado (completude, frescor), SLA de pipeline, MTTD, adoção | SQL forte, modelagem de dados, definição de métricas |
| Platform PM | platform PM, developer platform, infrastructure, self-serve, SLO | AWS (API Gateway, Lambda, EKS), Kubernetes, Terraform, Kafka | uptime/SLO, error budget, developers ativos, NPS do dev | plataforma como produto, trade-offs de infra, confiabilidade |
| AI / ML PM | AI PM, LLM, evals, RAG, prompt engineering | ChatGPT, Claude, Gemini, DeepSeek, LangChain, Cursor ou Lovable (vibe coding) | eval/acurácia, taxa de alucinação (< 5%), latência p95, adoção | fluência em IA, definir evals, métricas de modelo, prototipar com IA |
| Blockchain / Web3 PM (nicho, mais raro) | web3, crypto, smart contracts, DeFi, tokenomics | Solidity/EVM, MetaMask, Dune Analytics, The Graph | TVL, carteiras ativas, volume de transações, custo de gas | entender on-chain, tokenomics, trabalhar com smart contracts |
Pra estudar as métricas a fundo:
- Mastering Metrics for Product Managers 2026, Aakash Gupta
- AI KPIs That Matter: Beyond Model Accuracy 2026
- Platform Product Manager KPIs, DevOpsSchool
- Data Quality Metrics That Matter, Monte Carlo
- 13 API Metrics Every Platform Team Should Track, Moesif
Repara na diferença entre Technical PM e Platform PM: o técnico cuida de um produto técnico (uma API, um SDK) e discute arquitetura com a engenharia; o de plataforma é dono da infraestrutura que outros times usam pra construir, então pensa em nuvem, orquestração e na plataforma como um produto pros desenvolvedores internos.
Observação de mercado: AI PM está bem quente agora, e isso inclui nichos como computer vision, que também entra em AI PM. Se casar com o seu perfil, é a trilha de maior alavancagem no momento.
O recado mais importante: escolha um tipo, o que mais combina com a sua experiência e com as vagas que você quer, e faça tudo apontar pra ele. Seu LinkedIn, seu resume, sua cover letter e o seu discurso na entrevista, tudo coerente com esse tipo. A gringa desconfia de quem tenta ser tudo ao mesmo tempo. Foco vende.
Recado especial pra quem é PO ou BA: muita vaga que na prática é PM aparece com o título Product Owner ou Business Analyst. A minha segunda vaga na gringa era um PO que fazia o trabalho de PM. Então não se limite, coloque e busque os dois nomes (PM e PO ou BA) no LinkedIn e nas buscas de vaga.
E não é só o tipo de PM. Deixe claro também as indústrias e áreas em que você tem domínio, porque isso te diferencia e ajuda a empresa a te achar pra vagas do setor dela. Abaixo, as indústrias que mais contratam PM hoje, com os termos que mostram domínio. Não é lista fechada, tem muitas outras (manufatura, logística, games, govtech, etc.):
| Indústria | Termos que mostram domínio |
|---|---|
| AI / ML | LLM, evals, RAG, model, data |
| B2B SaaS | onboarding, seats, MRR, enterprise, integrations |
| Fintech / Banking | payments, KYC, PCI, ledger, fraud, compliance |
| Healthtech / Digital health | HIPAA, EHR/EMR, telemedicine, patient data |
| Cybersecurity | SOC, threat detection, IAM, zero trust, compliance |
| E-commerce / Retail | checkout, catalog, fulfillment, marketplace |
| Cloud / Datacenter / Infra | colocation, uptime, SLA, capacity, power e cooling |
| Telecom | OSS/BSS, provisioning, network, billing, 5G |
| Insurance / Insurtech | underwriting, claims, policy, actuarial, risk |
| Climate / Energy tech | renewables, carbon, grid, sustainability, ESG |
Coloque a sua indústria no LinkedIn e no resume junto com o seu tipo de PM, por exemplo "Growth PM, fintech" ou "Technical PM, datacenter".
Dois motivos, e os dois são bem práticos.
1. Grana. O salário costuma dobrar em relação ao Brasil, às vezes mais, porque você passa a ser pago em moeda forte e no padrão de mercado lá fora. As faixas variam com a sua experiência: dá pra esperar de US$ 3 mil a US$ 10 mil por mês, com a média ficando entre US$ 4 mil e US$ 6 mil. Mesmo descontando imposto e câmbio, a diferença é grande.
2. Tempo e qualidade de vida. Quase toda vaga internacional é remota, então você não perde tempo com deslocamento. Faz a conta: 1 hora pra ir, 1 hora pra voltar, mais o tempo que escorre no escritório. Mesmo trabalhando bastante, não se compara. Sobra vida.
E por que dá pra você agora: contratar brasileiro virou comum, o Brasil tem o maior polo de talento da região e sobreposição de horário com os Estados Unidos, e plataformas como Deel e Remote deixaram simples uma empresa de fora te pagar sem você mudar de país.
Sobre inglês, o recado honesto: você não precisa do melhor inglês do mundo, precisa do inglês técnico e de conseguir se virar numa conversa. E tem um detalhe importante, só de se expor e praticar você já melhora rápido.
"Meu inglês é ruim, será que desisto?" Não. Faz um curso online (tem bom na faixa de R$ 350 por mês com aula diária, eu fiz o Aliança, achei no Instagram). Uma sacada: peça pro professor treinar o inglês de entrevista e monte o seu script com o GPT pra praticar. E aplique mesmo sem domínio total, isso tira o medo. Só não desista de primeira.
Eu também paguei uma consultoria de carreira, a Coders, e recomendo muito: direcionamento, coaching e mock interviews em inglês, e não me deixaram desistir (fui a primeira PM de lá a conseguir vaga fora, e como PM é mais difícil que dev, eu não quis arriscar). Uma consultoria dessas vai além do guia: quem pode pagar, recomendo; quem não pode, chega lá só com ele.
O ponto é: pra ganhar o dobro, precisa investir. Quem é de TI não ganha mal nem no Brasil, então essa conta fecha.
Aqui é sobre as competências que você tem e como prova elas, diferente da seção de tipos, que é sobre qual rótulo você veste. Dominar isso é o que te faz passar na entrevista e ganhar a vaga.
Três áreas cruzam a área de produto, e é nelas que você se vende como PM: desenvolvimento, design e negócio. Quanto mais repertório você tem nelas, mais forte fica como candidato e mais fácil é se posicionar na busca. Se você já atua, o jogo aqui não é começar do zero, é reenquadrar a experiência que você já tem pra mostrar essas áreas.
Desenvolvimento (a parte técnica). Por que importa: você não precisa programar, mas entender como o software é feito e saber conversar com dev é essencial, e um pouco de SQL ajuda muito, porque PM vive de dados. Mas como? Faça um curso ou um projeto pra pegar a base, vá num hackathon, toque um side project.
Design. Por que importa: você vai passar pelo processo de design (definir o problema, achar a métrica, gerar e testar soluções) e muita pergunta de entrevista é sobre isso. Mas como? Faça um curso de UX ou interaction design, pegue produtos que você usa e faça redesigns documentando o raciocínio, leia blogs e livros de design.
Negócio. Por que importa: bons PMs entendem o mercado, a concorrência e como a empresa ganha dinheiro, e isso aparece muito na entrevista. Mas como? Envolva-se em algum projeto ou associação, ou toque um negócio (com ou sem fins lucrativos) pra pegar o lado de negócio na prática.
Uma nota: o melhor PM é o que constrói produto de verdade. Pegue um produto e faça acontecer, ou monte um portfólio ou site pessoal. Sem ideia do que construir? Tem este repositório com mil ideias de projeto pra você resolver e fortalecer as skills. Isso te faz um candidato mais forte e ainda desenvolve a skill no caminho (mais sobre isso na seção Seus materiais).
Suas skills são o que a empresa compra de você, então construir e saber mostrar elas é a parte mais importante. A entrevista de PM na gringa cai em alguns tipos de pergunta, e cada um tem um nome. Conheça todos.
Behavioural Questions (comportamentais). Use o método STAR (Situação, Tarefa, Ação, Resultado). Os cinco temas que mais caem:
- Liderança e influência
- Trabalho em equipe
- Um sucesso
- Um desafio
- Um erro
Monte uma tabela com uma boa história sua pra cada tema.
Estimation Questions (estimativa). Do tipo "quantas bolas de tênis cabem num ônibus?". O caminho:
- Pergunte pra clarear o problema
- Diga o que você já sabe
- Monte uma fórmula pra chegar na resposta
- Preencha o que falta, com suposições explícitas
- Calcule
Use números redondos pra facilitar a conta.
Product / Design Questions. As mais importantes. Caem em três tipos:
- Projetar um produto (ex: como você faria um despertador pra quem não enxerga?)
- Melhorar um produto (ex: como você melhoraria o Instagram?)
- Seu produto favorito e por quê
Responda passando pelo processo de design. Uma variação clássica é o product teardown: te dão um produto (às vezes o seu favorito) e pedem pra analisar na hora.
Metrics Questions. "Como você sabe se essa feature deu certo?". Saiba falar de:
- Métrica norte (north star)
- Métricas de entrada (input)
- Métricas de guarda (guardrail)
Misc Questions (as que sempre caem). Tenha resposta pronta pra estas:
- "Tell me about yourself": a abertura padrão. Tenha versões de 30 segundos, 1 minuto e 3 minutos.
- "What is Product Management": o que PM significa pra você.
- "Why Product Management": por que você quer isso.
Questions da sua trilha. Alinhe com o seu tipo. AI PM, por exemplo, cai avaliar um modelo, lidar com alucinação e definir sucesso de uma feature de IA. E atenção a uma novidade: várias empresas (Figma, Perplexity, Netflix, entre outras) já incluem uma rodada de vibe coding, em que te pedem pra montar um protótipo em 40-45 minutos usando ferramenta de IA tipo Cursor, Bolt ou Lovable. Framework não salva nessa rodada, só prática: abra uma dessas ferramentas antes da entrevista e construa algumas coisas. O guia de vibe coding interview do Aakash Gupta cobre o formato.
Aqui ficam os recursos pra treinar e se aprofundar, por categoria. É o ponto que a gente vai alimentando com o tempo, então manda a sua sugestão via pull request.
Guias de preparação:
- Ultimate PM Interview Study Plan, do Exponent
- PM Interview Prep, do IGotAnOffer
- AI PM Interview Guide 2026, do Aakash Gupta (a introdução é aberta, o restante é conteúdo pago)
Bancos de questões (problem sets):
- Product Management Exercises, com mais de 3.000 questões
- Exponent, com 800+ questões de empresas top
- Prepfully, bancos por empresa
Mock interviews:
- Exponent, mock com peers e IA (o antigo Pramp virou Exponent)
- IGotAnOffer, coaching 1 a 1
- Amigos: trocar entrevistas simuladas funciona muito bem
Vídeos no YouTube (assista mock antes da sua primeira entrevista):
- Canal do Exponent: mocks reais de entrevista de PM com gente de Google, Microsoft e Amazon, com feedback no final. Comece pela playlist de mock PM interviews.
- PM Diego Granados: AI PM no Google (ex-Microsoft e LinkedIn), canal inteiro sobre como entrar em PM e passar na entrevista. Latino, então o caminho dele é próximo do nosso.
- Mock de entrevista de AI PM com Dr. Bart Jaworski: entrevista completa e sem edição no formato atual de AI PM, do guia do Aakash Gupta.
Comunidades e blogs:
Livros de entrevista:
- Cracking the PM Interview, de Gayle McDowell e Jackie Bavaro: o mais recomendado pra entrevista
- Decode and Conquer, de Lewis C. Lin
- The Design of Everyday Things, de Don Norman
- Don't Make Me Think, de Steve Krug
Os livros de fundamento de produto estão na seção O que é (e o que não é) PM. E dois frameworks que valem decorar: STAR pra comportamentais e CIRCLES pra product design.
Prefere estudar em português primeiro? Comece pela PM3 e pelas comunidades de produto brasileiras. E se o inglês estiver te travando, o recado está em Por que mirar a gringa: não precisa ser perfeito, precisa ser suficiente.
Ter a skill não basta, você precisa provar. Ao falar de um projeto, seja específico: o problema, o que você decidiu, e o resultado em número. Pra cada coisa que fez, deixe claro:
- O quê: o que fez e qual impacto gerou.
- Por quê: por que aquilo existia.
- Como: com quais ferramentas e qual processo.
- Quanto: o resultado, de preferência em número.
Não é sobre se gabar, é sobre mostrar com clareza e confiança.
Procurar vaga internacional cansa: você vai tomar não e vai bater a síndrome de impostor. É normal. Foque no seu processo, não no dos outros, e com recruiter seja confiante sem ser arrogante. O resto é consistência: siga melhorando o LinkedIn, buscando vaga e aparecendo pros recrutadores, todo dia. Eu levei 11 meses até o primeiro sim (e ainda saí, porque a vaga era ruim), e conheço gente que conseguiu no primeiro mês. Varia muito, então não desista de primeira. O como está no Passo a passo prático.
São os materiais que colocam o seu pé na porta: resume, cover letter, portfólio e LinkedIn. Regra que vale pra todos: cada um tem que bater com o seu tipo de PM. E, como a vaga é lá fora, a versão que o recruiter lê vai em inglês, mesmo você montando em português aqui.
O resume é o seu resumo de uma página e é ele que abre a porta. Não vou te dar um passo a passo gigante, porque hoje tem recurso demais e IA que faz isso por você. O caminho é esse:
-
Fala com a IA. Peça pro GPT (ou Claude) pra melhorar o seu resume e a sua cover letter. Não copie e cole cego: leia, entenda e ajuste, o resultado tem que ser seu. Alguns GPTs que eu recomendo (cruze mais de um):
-
Modele por exemplos. Olhe perfis de PMs que já trabalham lá fora. Pode dar uma olhada no meu LinkedIn (hoje ele nem está mais atualizado, porque já trabalho pra fora), mas o meu pode não ser o seu alvo, então busque outros PMs internacionais (eu sigo vários) e veja como eles se posicionam e escrevem.
-
Palavras-chave por vaga. Entre na descrição de cada vaga em que você se encaixa e garanta que todas as palavras-chave de lá estão no seu CV. É por vaga, não é um CV único pra tudo.
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Passe no ATS. Confira se o seu CV passa nos filtros automáticos: formato limpo (nada de imagem ou coluna maluca) e as palavras-chave da vaga presentes.
Não negociáveis, sempre: uma página; resultado com número (nada de "responsável pelo roadmap", e sim "priorizei o roadmap que subiu a retenção em 12%"); e a versão final em inglês. Não escreve bem em inglês? A IA escreve pra você e você só revisa (e cuidado ao traduzir cargos, tipo Gerente de Produto que vira Product Manager).
Lá fora a cover letter é esperada (no Brasil quase ninguém usa) e vai em inglês, curta e personalizada: diga quem você é, por que essa empresa (mostre que pesquisou), o que entrega e como te achar. Nunca mande genérica, e use os GPTs do Resume pra gerar uma base por tipo de vaga, tendo um banco pronto pra adaptar.
LinkedIn. É a sua vitrine, onde o recruiter te acha. Prepare:
- Foto de rosto, profissional, fundo limpo.
- Headline com os títulos que você busca (PM, e também PO e BA, que dividem as mesmas vagas) mais a sua especialidade e um resultado. Ex: "Product Manager | Product Owner | AI | lancei 5+ produtos".
- Perfil em inglês (o LinkedIn deixa adicionar uma versão em outro idioma; pode manter o português junto ou não).
- Palavras-chave do seu tipo, repetidas de forma natural no "sobre" e nas experiências. É assim que você aparece nas buscas.
- Ferramentas: liste as que você usa de verdade (as da sua trilha), porque recruiter filtra por elas.
- Skills e endorsements: preencha a seção de Skills do LinkedIn com as da sua trilha e troque endorsements com colegas (você recomenda as skills deles, eles recomendam as suas). Valida o seu perfil.
Como usar o LinkedIn no dia a dia (busca de vaga, conexões, aplicar cedo) está no Passo a passo prático.
Portfólio e GitHub. Um portfólio não é obrigatório, mas te destaca. E pra AI PM sobe o nível: ter um GitHub é praticamente mandatório, porque mostra que você constrói, então se não tem, crie um. Pro portfólio, um Notion ou doc com 2 ou 3 casos no formato Problema, Solução, Impacto já resolve. Sem caso pra mostrar? Crie um: um GPT ou Projeto no Claude que sirva de assistente de PM, sem código, documente e suba no GitHub.
Aqui o guia se diferencia do original. Listei os caminhos em ordem de prioridade, e recomendo tocar vários ao mesmo tempo. O que funcionou comigo foi o job post do LinkedIn.
Na minha visão o LinkedIn é rei, porque junta busca, networking e job post no mesmo lugar, e o job post é o que mais funciona.
Job post x LinkedIn Vagas. Job post é um post no feed em que um recrutador ou gestor anuncia a vaga, com hashtags e pedindo pra comentar ou mandar mensagem. LinkedIn Vagas é a aba de Jobs, com o botão de candidatar. Eu foco no job post, porque você chega direto na pessoa que postou e aplica cedo.
Como achar os job posts. Use a busca (search) do LinkedIn e filtre por Publicações (Posts), não pela aba de Vagas. Aí:
- Busque pelos termos e pelas hashtags que os brasileiros usam: "product manager remote", #jobnagringa, #vagasremotas, #trabalhoremoto, #vagaspelomundo.
- Use operadores boolean, em MAIÚSCULAS:
"product manager" OR "product owner" OR "business analyst", e("product manager" OR "product owner") AND remote. - Termos que abrem o jogo: remote, LATAM, Brazil, Everywhere, Anywhere, Worldwide.
- Filtre por mais recentes e salve a busca com alerta, pra chegar cedo.
Em breve: post do brasileiro que ensina a buscar vaga na gringa.
LinkedIn Vagas (a aba de Jobs), por último. Eu particularmente não uso, mas já ouvi casos de quem conseguiu por ela. Se for usar: digite Remote na localização e marque o filtro On-site/Remote como Remote (dobra a captura), use o filtro de menos de 10 candidatos, e aplique cedo.
Construa relação, não só peça vaga. Na prática:
- Conecte com uns 100 por semana (respeitando o teto do LinkedIn, uns 20 por dia): recrutadores que postam os jobs que você quer, Heads de PM e PMs da gringa. Ao conectar, mande uma nota de apresentação. Peça pro GPT, já com o seu resume e dados, montar uma no tamanho do convite do LinkedIn.
- Indique colegas que também estão buscando. Seu LinkedIn virou a sua rede social profissional: quanto mais você troca, mais volta.
- Poste sobre a sua área de PM. Chama atenção e faz o LinkedIn te rankear melhor nas buscas dos recrutadores.
Muitos recrutadores anunciam a vaga num post antes de ela ir pros grandes sites, então seguir os certos te faz chegar cedo. Aqui vai a minha lista de recrutadores que já vi postando vaga de PM, PO e BA.
Em breve: minha lista de recrutadores. Vou atualizando.
Dev que você conhece (ou já trabalhou junto) e está na gringa é ouro: pergunte ativamente se tem vaga na empresa dele e se ele pode te indicar. E não pare aí, dá pra trocar ideia com devs que você nunca trabalhou junto, e muitos aceitam te indicar se a vaga na empresa deles estiver aberta. Indicação te tira da pilha.
Tem empresa que contrata do mundo todo, e pra essas vale mandar direto. Dica de ouro: quase sempre vale mais mandar o seu CV pelo site da própria empresa do que pelo LinkedIn. Achou uma vaga boa? Entra no site da empresa e aplica por lá, as chances são maiores. Como elas te pagam morando no Brasil: em geral como contractor ou PJ (via Deel ou Remote), às vezes por EOR, e mais raramente com visto.
Lista inicial (verificada em julho/2026; vaga abre e fecha, então confira a página de careers). Mantida pela comunidade, manda pull request pra incluir mais:
Remote-first clássicas, contratam do mundo todo (incluindo produto):
- GitLab: all-remote em 60+ países, processo e salários públicos no handbook
- Automattic (WordPress.com): 2.000+ pessoas em 96 países, salário não atrelado à localização
- Zapier: remote-first em 40+ países (algumas vagas pedem timezone específico)
- Deel: time em 100+ países, e é a própria plataforma que viabiliza te pagarem no Brasil
- Remote: mesma lógica da Deel, contratam globalmente
- Doist (Todoist): remote-first e assíncrona desde o início
- DuckDuckGo: contrata worldwide, salário único global por nível
- Supabase: dev tools, contrata worldwide
- ElevenLabs: AI de voz, contrata worldwide (boa pra trilha AI PM)
- Kraken e Coinbase: cripto, contratam globalmente e a Coinbase já abriu vaga de PM específica pra Brasil (boas pra trilha Web3)
Com histórico forte de contratar LATAM/Brasil:
- dLocal: fintech uruguaia de pagamentos, nasceu na região
- RecargaPay: fintech que opera no Brasil e abre vaga de PM remota
- Loadsmart: logtech com fundadores brasileiros, contrata PM remote-LATAM
- Toggl e Hubstaff: produtividade/HR tech, contratam LATAM
E um atalho que vale favoritar: o Product Jobs Anywhere mantém uma lista viva de empresas de produto que contratam LATAM ou Worldwide, com as vagas abertas de cada uma. Use pra descobrir empresa nova antes de todo mundo.
Você se cadastra uma vez e elas te encaixam. Costumam pagar menos do que ser contratada direto pela empresa, porque ficam com uma parte, mas são ótimos pontos de entrada na gringa, especialmente pro primeiro job. E é cadastro único, não é garimpo diário.
Em ordem do que costuma ser mais recomendado:
- Remoto geral: We Work Remotely, Remotive, Himalayas, Remote OK, Remote Rocketship, Working Nomads, Dynamite Jobs.
- Startups: Wellfound, Y Combinator, Startup.Jobs, F6S.
- LATAM e brasileiro: #jobnagringa, Get on Board, Torre (que ainda faz match por IA).
Isso foge do foco remoto do guia, mas pra quem quer mudar de país dá pra buscar nesses também:
Esse é o checklist pra executar, na ordem. Cada passo diz em qual seção está o detalhe, então aqui é só fazer.
Preparação (faça uma vez):
- Escolha o seu tipo de PM e a sua indústria. Mesmo sendo PM, coloque e busque também por Product Owner e Business Analyst, que dividem as mesmas vagas. → Tipos de PM
- Monte Resume e Cover Letter e arrume o LinkedIn (foto, headline, palavras-chave, ferramentas, skills e endorsements, perfil em inglês). Pra AI PM, monte também um GitHub. → Seus materiais
- Prepare as respostas de entrevista: o pitch (STAR e o "tell me about yourself") e os tipos de pergunta (comportamental, estimativa, produto, métricas). → Perfil e skills
- Inglês travando? Comece o curso e treine o inglês de entrevista. → Por que mirar a gringa
- Cadastre-se nas plataformas que te conectam (cadastro único). → Como buscar, item 4
Execução (rotina, quase todo dia):
- Busque job posts no LinkedIn e aplique cedo. → Como buscar, item 1
- Conecte com uns 20 por dia e poste sobre produto. → Como buscar, Networking (item 2)
- Aplique direto no site das empresas e garimpe os boards. → Como buscar, itens 3 e 5
- Peça indicação a devs na gringa. → Como buscar, item 2.2
- Chamou pra entrevista? Faça mock interviews e revise as respostas por tipo de pergunta antes das calls. → Perfil e skills
- Não desista, a vaga vem a qualquer momento. → Atitude
Conseguir uma vaga na gringa parece distante, mas é um processo, e processo se aprende. Vai dar trabalho e você vai querer desistir em algum momento, eu também quis. Mas quando a vaga sai, e ela sai, todo o caminho faz sentido. Eu fiz esse caminho, então se eu consegui, você consegue. Agora vai lá e pega a sua.
Isso foi a minha experiência e a de uma galera que fez o caminho comigo, e podem existir outras, então se você tem a sua, compartilha e manda um pull request. E quando pegar a vaga, volta aqui e conta: a sua história vira o empurrão do próximo brasileiro. Se o guia te ajudou, deixa uma estrela. Boa sorte!
Esse guia é open-source e vive da comunidade: complete as listas de recrutadores e empresas, conte que conseguiu a vaga usando o guia, traga a sua experiência (mesmo que discorde) ou corrija um erro ou link quebrado. Tudo por issue ou pull request.
O passo a passo de como contribuir está no CONTRIBUTING.md.